Eu vi a rosa perder todas as pétalas, uma por uma. Processo triste, doloroso… Todos deveriam chorar com uma cor a menos no mundo. Elas não caíam simplesmente; eram todas arrancadas. Sem dó ou piedade, tiravam-lhe mais do que tinha, sem esquecer da raiz, que, afinal, nunca havia tido um terreno realmente fixo.
Antes de nascer, aquela rosa já transparecia que não queria passar de uma pequena e indefesa muda, que crescer, para ela, era inútil. Pois em volta da rosa, uma grande quantidade de espinho espalhava-se aos montes. Parecia que ela sabia das espetadas que tomaria. Estava em terreno estranho, sentindo ser o patinho feio entre os que já viviam ali. E a sua água era sugada diariamente por aqueles espinhos muito mais fortes do que ela. Mas a rosa, danada que só ela, resolveu aceitar o desafio: vamos ver no que dá florir!
Rosa deveria ter sido somente muda. Não gostou de ver no que dá florir. Quer água, mas há seca. Vem chuva, mas afoga. Pede sol, mas é tudo escuro. O pote onde a colocaram é triste demais, e a terra onde foi enraizada é dura, cheia de pedrinhas indesejáveis. Os espinhos eram muito mais reais do que se poderia desenhar ou descrever.
Mas quem salva uma rosa no meio do deserto? Quem a convence de que a cor mais bela é a das suas pétalas? Quem a faz acreditar que há um casal de amantes para adotá-la? Quem dará um lar a uma rosa que vive agora em um pote quase de ferro? Não vá se deixar enferrujar, linda flor… Você sempre correu lá os seus riscos.
E a rosa, que antes nascera já temendo, mas não fugindo do sol, causa reboliços nas vidas que passam por si. Mas ninguém para ou a leva para expor em sua casa. Ninguém a pega com delicadeza e dá a ela uma nova paisagem. Você parece condenada ao cinza do céu, rosa. A sua cor anda sumindo e você parece um tanto murcha. Quem pode dar vida ao que já nasceu morto? Eu não sei da rosa. Eu não sei de mim.
Mas vou buscar um café e uma água. O café me mantem em pé. A água mantem a rosa viva. E será que cada uma quer o que toma?
Camila Costa.