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Sim, sou mulher mesmo, meu amor; você já deveria ter percebido que vou embora querendo ficar.

— Camila Costa. - trechos de nós.

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Já sorri te olhando de mil formas e me aconchegando no teu abraço ao fim do dia. Era o que eu precisava: abrigo. Era o que você tinha. E tudo sempre veio acompanhado dos meus pelos arrepiados, do meu coração batendo forte e da minha distração quando você falava muito. Foi assim que eu soube o quanto isso era forte. Aliás, o quanto isso é forte. Talvez você mude - de país e de jeito. Talvez a minha loucura te afaste. Talvez nos afastemos ao natural. Mas entre todos esses “talvez”, pode ser também que talvez tudo dure, perdure. Talvez a gente se ame mais do que os olhos andam dizendo.

— Camila Costa. - trechos de nós.

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Você me olhou pela última vez antes de sair pela porta do restaurante e eu sei, meu bem, o que os seus olhos tristes queriam me dizer: a gente se encontra.

— Camila Costa. - trechos de nós.

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Podemos ser apenas um quase-amor. Sim, “quase”, pois não chega a ser. E é um quase-amor cheio de coisas inteiras, mas ainda não nos dá o direito de arrancarmos aquela palavra maldita da nossa denominação. Eu sou intensa e espaçosa, o guarda-roupa ainda não tem espaço para você e os meus horários podem complicar-se cada vez mais. Você gosta de futebol duas vezes por semana e o jantar acaba nem acontecendo. Adoramos nos encher de desculpas pela falta de compromisso, meu bem. Vai ver nós somos demais para ser um amor completo, sem medo do “quase” ou da despedida.

— Camila Costa. - trechos de nós.

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A gente é muito emoção. Eu choro todas as noites e você aparece cabisbaixo em festas sem admitir tristeza. Intensos e sofridos, não sei como acabamos por nos juntar. Na primeira vez que você me sorriu, achei tudo muito alegre, mas o seu mundo provou que é bem igual ao meu. Não posso te deixar partir, entretanto, você é quem precisa vir até mim. Porque sou de ferro, sou sem jeito, sou mais palavras escritas do que faladas, e você não lerá nada disso. Então, tome a decência de bater na porta e me culpar pelas nossas falhas. Tome coragem de me tomar pela mão e dizer o quão insuportável é a minha mania de reclusão, tal como a sua. Tome vergonha na cara, o amor é feito de vergonhas na cara para saber dizer: a desgraça que sou é menos feia com você. E eu sou! Você é… Nós somos. Prefiro o nosso par do que a nossa solidão fazendo estragos.
Se você não me ama, por que os seus olhos sempre me sorriam? E não negue: sei que somos os dois muito tristes.

— Camila Costa. - trechos de nós.

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Eu torci por nós. Você eu não sei se torcia por nós, pelo Inter, pelo Flamengo ou pelo Barcelona, mas deveria ser por algum desses. Peço que não me olhe desse jeito estranhamente vazio e necessitado: não me olhe como se eu fosse a solução. Eu era toda a nossa torcida e você não via. Ando agora por esses cômodos cheios de pegadas nossas e descubro por que nunca fui líder de torcida ou qualquer coisa americanizada: eu não sirvo para ver o jogo andar sem mim. Precisei sempre entrar em campo, mas nunca soube as suas táticas, nunca soube desmontar a minha defesa e acabamos sempre no empate - ou embate, como queira. Ah, lá vem você abrindo a porta… Vai escutar as minhas lamúrias outra vez e tentar me explicar que somos dois maltratados pelo amor com o coração latente demais. Você acha que não sei? Meu amor, não é pelo passado: eu te olho e já sei o quanto sofri.

— Camila Costa. - trechos de nós.

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Espere ao menos eu te contar algumas coisas, depois você pode ir. Pode ficar também, se quiser, mas espere, por favor, espere eu dizer que afasto todo mundo fácil demais e sumo, sumo muito. Metade de mim nunca quer ser de nada e a outra metade vive procurando um canto para se aquietar. Eu tenho problemas com isso como se pode perceber. Havia alguém até uns dias atrás, talvez ainda haja, mas você não sabe o quanto me falta vontade para isso tudo… É desgastante demais procurar um abraço específico em outros, em tantos soltos pelo mundo sendo que eu, eu pedi apenas um. Acabo me desencontrando e ninguém consegue me encontrar - lá vou eu sumindo outra vez. Como custa me ganharem, meu Deus! E olha que nem exijo muito, mas não dá, eu não consigo sair pertencendo porque todas as mãos parecem iguais. A sua mão me sorriu, não deveria, mas sorriu. Há muitas coisas que quero poder dizer a você de um jeito suave, mas para não te assustar, por enquanto é isso. Não posso deixar que as palavras me denunciem em demasia. Eu vou fingindo que sou calmaria para ver se você vem um pouco mais e me perdoe se um dia a minha intensidade te engolir. Você sempre terá as portas abertas.

— Camila Costa. - trechos de nós.

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Nunca havia reparado tanto no seu nome e agora ele surge de muitos lados. Mesmo havendo muitos iguais ao seu, nunca leio da mesma forma. Com você é mais doce, a minha voz fica mais lenta, derretida, querendo aproveitar cada letrinha do que te forma… Eu não sei como essas coisas acontecem, mas elas acontecem, não é? Você estava por aí, eu também e pronto: aconteceu. A vida finge que vai nos abandonar e traz alguém assim, com a alma sorridente e sombria como você só para combinar bem comigo e me fazer entender que as pessoas podem ter o nome que for, apenas você tem o seu desse jeito que eu desejo tanto. Não há possibilidade de me enganar ou fingir, eu me vejo em você, com você. Eu, que nunca aguentei nem o espelho, te enxergo demais nos meus dias e manias. Se não for agora, amanhã, quem sabe… Se não for nunca, ao menos me envie um beijo com a sua assinatura para eu saber que foi você sem chance de cópias. Mas acredito que não há cópia para ti nesse mundo, nem em mundo algum. Vou tentar te responder sem exceder o drama ou te assustar, tentando mais ainda manter você por perto, sob os meus olhos, sentindo como eu sinto.
Não é você naquela parede rabiscada. Não é você naquela assinatura feia do papel. Eu sempre saberei quando é você. Eu vejo as suas marcas em mim. Algum dia você vai entender que escrevi muito por você, com ou sem nome.

— Camila Costa. - trechos de nós.

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Você me olha de um lado, olha de outro, o que será que você vê? Afinal, gosta disso? De me ver… Você gosta? A sensação de alguém me observando sempre fora desagradável, talvez eu tenha complexos demais, mas você me tira essas coisas, esses estranhamentos da vida: você me tranquiliza para depois me enlouquecer. Como um remédio, você substitui qualquer Prozac que os médicos me recomendem. O meu estômago não respira mais, e não, não ache estranho eu dizer que ele precisa respirar: é óbvio que ele precisa. Mas você o invade com coisas demais e o coitado vomita, coloca para fora enquanto os meus olhos te miram baixinhos pedindo atenção… E você me olha. Eu nos bebi demais, ingeri demais o meu “remédio”. Você veio em doses erradas ou eu que não tenho resistência para tanto. Certa vez eu disse que precisamos ter estômago para o amor, lembra? O meu está todo para fora, deixo agora que me levem à sala de cirurgia. E lá na porta, você está a me olhar. Surpresa: abriram o coração ao invés do estômago. Eu mal sei admitir que é no coração que você mora.
A propósito: nunca achei olhos da cor dos seus.

— Camila Costa. - trechos de nós.

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Não há cama mais fria, não há sofá mais rasgado, não há cozinha mais imunda, não há quarto mais escuro, não há casa mais vazia do que a minha. Não há drama maior do que o meu sem você para controlar os meus impulsos de intensidade. Eu sofro até o último fio de cabelo e somente você sabe…

— Camila Costa. - trechos de nós.

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